O turismo, como ocorre globalmente, está crescendo, mas na Galiza é um fenômeno relativamente recente. O compromisso de promover o Caminho de Santiago no início dos anos 90, tornou a Galiza conhecida em todo o mundo. Hoje, o debate é se deve apostar por uma capitalizaçom maior do Caminho com os riscos de turismo massivo que isso implica, ou se deve continuar mantendo a sua essência "espiritual". Se quadra, o melhor é que existam as duas opções, un turismo caro de qualidade e outro mais barato, sempre controlando a massificaçom por parte das administrações.

Além do turismo cultural, natural ou de praia, destacam o turismo rural e o termal, pola sua extensa rede de casas rurais, fontes termais e balneários em todo o território. Durante os últimos verãos na alta temporada, já existem problemas derivados do turismo de massas nas zonas costeiras mais turísticas e é algo que a Galiza deve saber administrar bem, controlando a entrada de turistas nos lugares mais concorridos, aplicando taxas turísticas e aumentando os preços de entrada em monumentos e espaços naturais para uma boa conservaçom.

Uma das vantagens do turismo, além das econômicas, é o fato de incentivar as administrações a cuidar melhor o imenso patrimônio natural e cultural que a Galiza possui e que sempre foi descoidado, apesar de seu enorme valor e riqueza.

O mesmo acontece com a planificaçom urbana, que desde os anos 60 do século XX com o boom da construçom, uma vez que nom havia nenhum tipo de ordenamento e uma teima exagerada para a construçom de edifícios altos, às vezes por nom ter terra, e outros por querer dar uma imagem de ostentaçom, uma espécie de feísmo foi criado em todas as cidades e vilas que hoje é tristemente característico deste país.

Um exemplo deve ser tomado de outros países europeus nesse sentido, coidando e ordenando melhor o território da Galiza, as montanhas, as áreas costeiras, as áreas urbanas, mas sem depender exclusivamente do turismo. Mas melhorar a qualidade de vida de seus habitantes e que a Galiza nom só se torne um museu-território, com uma paisagem maravilhosa onde você coma bem e barato. Os setores agrícola e industrial devem continuar modernizados, apostando em tecnologia inovaçom.

Por outro lado, é fundamental a aproximaçom entre a Galiza e o Norte de Portugal, onde apesar de ser uma das fronteiras mais antigas da Europa, nunca houve uma divisom cultural e sempre houve trocas económicas e sociais. De facto, som cada vez mais as empresas galegas a exercerem a sua actividade em Portugal, após a entrada de ambos os países na Uniom Europeia. Ao facilitar a livre circulaçom de pessoas e capitais, o estabelecimento da Eurorregiom e as Eurocidades fronteiriças que partilham serviços e infraestruturas.

Mas também, o mercado da conurbaçom urbana de Porto-Braga abrange uma quantidade significativa de populaçom potencial de quase 2 milhões de habitantes e a rodovia fica a apenas 1 hora e meia da área urbana de Vigo (a mais populosa da Galiza). Isso supõe um acesso aos serviços e às oportunidades econômicas e trabalhadores duma e outra parte do rio Minho aos habitantes dos dous territórios aos quais eles unem laços culturais e linguísticos.

Aqui, a língua galega, a língua própria da Galiza, assume uma dupla importância. Em primeiro lugar, como marca de identidade e valorizaçom dos produtos galegos para o comércio peninsular e europeu, e em segundo lugar, devido à sua proximidade ao português, uma vez que ambos som variedades do mesmo sistema linguístico (o galego-português). 

Esta é uma ótima oportunidade para se comunicar com mais de 500 milhões de falantes no campo da lusofonia (ou galaicofonia) em todo o mundo. Isto, juntamente com o conhecimento e o uso do castelhano (também língua oficial na Galiza e uma das línguas mais faladas no mundo), dá a este país uma clara vantagem de se relacionar social e economicamente, nom apenas com todos os territórios da Península Ibérica e a ligaçom entre Espanha e Portugal, senom também com toda a América Latina.

Mas o desafio futuro mais importante para a Galiza é, sem dúvida, o desafio demográfico. A sua populaçom é uma das mais avelhentadas do mundo, com as conseqüências econômicas que isso implica, como o gasto em sanidade ou o aumento das pensões. A expectativa de vida também é uma das mais altas aqui, mas nascem muito poucas crianças, o que significa que o saldo vegetativo é eternamente negativo e a cada ano continua a diminuir. Isso se soma ao fato de que a fuga de cérebros para outras regiões e cidades ainda é comum e o abandono do meio rural que sempre caracterizou a Galiza também é preocupante. É preocupante que em muitas aldeias apenas viva gente maior e outras fiquem já desabitadas.

Qual deve ser a soluçom para esse problema? Sem dúvida, como em muitos outros lugares, a imigraçom de jovens, de maneira regulada e controlada, ajuda a mudar a situaçom. Algo que, por exemplo, acontece em Portugal, atraindo uma populaçom de origem brasileira, à qual eles unem laços culturais. No momento, o saldo migratório nos últimos anos tem sido positivo na Galiza, mas em grande parte devido ao retorno de emigrantes jubilados e alguns imigrantes, também jubilados, de outros países europeus.

Por fim, deve-se também apostar na modernizaçom e melhoria da qualidade do emprego, tanto nas áreas rurais quanto nas cidades, apostando no empreendimento, inovaçom, investigaçom e tecnologia.  E, acima de tudo, evitar a fuga de empresas para cidades como Madrid, pois elas têm mais infraestrutura e benefícios fiscais.

Isso diminui o emprego na Galiza e é uma realidade que infelizmente aumentará nos próximos anos devido à conexom de alta velocidade com Madrid, uma vez que facilita o deslocamento do trabalho para as principais fontes de emprego. Nesse sentido, é essencial dotar as empresas de facilidades tributárias para que decidam se estabelecer na Galiza.



Torre de Hercules
Torre de Hêrcules ou de Breogám (Corunha)