No extremo noroeste da Península Ibérica, no Sudoeste da Europa, encontra-se a Galiza, uma terra de peregrinações ao longo da história e um dos Finisterres geográficos do continente.

Os peregrinos que chegam ao longo do ano caminhando desde as planícies do planalto castelhano seguindo o Caminho de Santiago Francês, encontram ao chegar à Galiza uma paisagem totalmente diferente, dominada por montanhas, bosques verdes e prados regados por milhares de rios e ribeiras, e por uma geologia dominada polo granito, que se observa nas suas ruas e edifícios. Uma paisagem atlântica que lembra muito as da Grã-Bretanha, Irlanda ou País de Gales.

Devido à sua situaçom geográfica, aqui ocorreram muitas trocas humanas e comerciais com povos do sul do continente, de cultura mediterrânea. E também com as outras culturas célticas do norte da Europa ao longo dos séculos, algo que pode ser visto em suas tradições históricas, música ou características linguísticas. Assim, a primeira impressom é de um terreno da Europa Latina, com características próprias da Europa Atlântica.

A Galiza preserva uma realidade geográfica e cultural própria, diferente dos restantes povos peninsulares. Ao mesmo tempo, polo seu emprazamento, apresenta muitas características históricas e socio-económicas em comum, nomeadamente com o norte de Portugal, com o qual partilha território e área linguística (galego-português). E também com o norte do Estado espanhol, do qual faz parte hoje como Autonomia com a característica de ser uma Naçom Histórica reconhecida, tanto pela Constituiçom espanhola como pela Sociedade das Nações (bem como a Catalunha ou o País Basco). Deste jeito, a Galiza encontra-se a meio caminho entre o mundo hispânico e o mundo lusófono.

Uma característica única da Galiza é o seu clima, mais quente e solarengo que no norte da Europa, mas mais frio e chuvoso que no centro e sul da Península Ibérica ou nas regiões mediterrânicas, sendo um clima influenciado polo Oceano Atlântico. Assim, o carácter frio e triste dos galegos que condiciona o inverno, torna-se alegre e festivo durante o verão, o que se demonstra pela quantidade de festas, festas de rua e festivais gastronómicos que inundam as suas populações no verão. 

Este é um fator muito importante, pois dá vida e dinamismo ao meio rural, o que nom acontece em outros territórios semelhantes. Além disso, no verão, a populaçom aumenta devido ao retorno temporário dos trabalhadores migrantes durante o período de férias.

A Galiza é bem definida geograficamente. Embora os limites nom sejam totalmente exatos nas zonas de montanha e existam, por exemplo, municípios vizinhos nas Astúrias, Leom e Zamora onde também se fala o galego. Mas, em geral, configura uma realidade geográfica diferenciada do resto da Espanha polo Maciço Galaico.

Por outro lado, a paisagem de um lado e do outro da fronteira entre a Galiza e Portugal, nom varia. Esta linha divisória chama-se A Raia e está dividida em três partes: o curso inferior do rio Minho, a Serra do Gerês e a Raia Seca, que deve o seu nome ao facto de nom existir um rio que sirva de fronteira. Aqui estám os concelhos do Couto Mixto, que na sua época eram independentes da Galiza e de Portugal.

A Raia Seca, estende-se desde o Gerês até às serras do Maciço Galaico, e atravessa o vale alto do rio Tâmega, que nasce na Galiza mas tem a maior parte do seu percurso em Portugal, e divide as duas partes da Eurocidade Verín-Chaves. A portuguesa Chaves e a galega Verín estám ligadas por uma distância de 30 quilômetros, e a avenida que os une chama-se Avenida de Portugal na parte da Galiza e Avenida da Galiza na parte de Portugal. Existem também duas outras Eurocidades fronteiriças em cada margem do rio Minho: Tui-Valença e Salvaterra-Monção.

A costa também é característica e representativa da Galiza, graças às suas Rías. Cando deixa de haver Rías e a costa torna-se retilínea cara o sul, avisa-nos que a Galiza termina e começa Portugal. E o mesmo acontece no norte quando a se aproxima a rasa litoral asturiana. 

E é que a Galiza é mar, com quase 1.500 km de costa numa área total de apenas 29.500 km. quadrados de superfície significam que a maioria da populaçom vive junto ao mar e sempre viveu dos seus recursos marinhos, fazendo das Rias uma importante fonte de riqueza econômica para o país.

Destacam ademais as suas áreas de falésias e praias de areia branca muito fina, resultado da erosom causada polo vento e polo mar, que atinge essas terras com grande força.

Desta forma, devido ao seu clima e também ao seu caráter montanhoso, o relevo costeiro e interior da Galiza oferece um grande potencial eólico. E há também um importante uso dos recursos hídricos, tanto em reservatórios para hidroletricidade quanto em águas termais, graças à sua geomorfologia.

A Galiza pode quase ser auto-suficiente graças aos recursos energéticos da água e do vento, porém, o custo da eletricidade é caro para cidadãos e empresas, 33% é exportado especialmente para Madrid e as empresas de eletricidade atualmente nom som galegas ou têm capital estrangeiro.

A transiçom energética para o setor de energias renováveis ​​é essencial, mas muitas vezes torna-se um negócio para grandes empresas, e nom afeta como deveria na qualidade de vida da populaçom rural. A Galiza também possui uma usina de energia térmica que planeja deixar o carvom e abrir caminho para a energia do gás natural.

Da mesmo jeito, existe uma indústria madeireira, que também deve avançar para um modelo mais sustentável com o meio ambiente. Na Galiza, há muita área florestal, e com a emigraçom do campo para a cidade, foi abandonada ou vendida para uso florestal intensivo, plantando-se espécies estrangeiras como pinheiros ou eucaliptos (mais abundantes nas áreas montanhosas da costa).

Essas espécies, principalmente o eucalipto, crescem rapidamente, mas consomem muita água e nom som muito resistentes ao fogo. Além disso, eles costumam se espalhar perto de casas, o que é um problema durante os muitos períodos de fortes incêndios neste território.

Por esse motivo, é necessária uma planificaçom territorial, estabelecendo áreas adequadas ou inadequadas para o cultivo de pinheiros e eucaliptos e estabelecendo instalações para o plantio de espécies indígenas que estejam mais de acordo com a paisagem da Galiza ou outras que nom agridam o solo e resistam melhor ao fogo.

Dessa forma, seria necessário expandir os usos da floresta, para que a sua economia nom dependa apenas da indústria do papel, um setor de importância especial na Galiza atualmente.


Ribeira Sacra
Canom do Río Sil (Ribeira Sacra)